O governador do Maranhão, Carlos Brandão, enfrenta um dos momentos políticos mais delicados desde que assumiu o comando do estado. A direção nacional do Partido dos Trabalhadores voltou a reafirmar resistência à candidatura de Orleans Brandão ao governo em 2026, ampliando o isolamento político do chefe do Executivo estadual dentro da própria base aliada.
A sinalização ocorreu durante reunião realizada em Brasília, na qual o presidente nacional do PT, Edinho Silva, acompanhado da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reiterou que o partido mantém o compromisso firmado em 2022 e não considera viável apoiar um projeto sucessório fora do acordo político estabelecido à época.
Acordo cobrado publicamente
O entendimento construído durante as eleições estaduais previa que o PT indicaria o vice-governador, Felipe Camarão, com a expectativa de assumir o governo em abril de 2026, caso Brandão deixasse o cargo para disputar o Senado Federal.
Segundo interlocutores petistas, a manutenção desse compromisso é considerada essencial para preservar a unidade da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Maranhão, estado estratégico eleitoralmente para o projeto nacional do partido.
A cobrança direta feita pela cúpula petista evidenciou o impasse político criado pela insistência do governador em manter a candidatura do sobrinho, movimento interpretado dentro do PT como ruptura unilateral do acordo.
Isolamento crescente
Nos bastidores de Brasília, a avaliação predominante é de que Brandão perdeu capacidade de articulação nacional. Lideranças petistas passaram a tratar a sucessão maranhense como questão estratégica, retirando do governador o protagonismo na condução das negociações.
A resistência ao nome de Orleans também reflete preocupação com a fragmentação da base governista no estado, hoje dividida entre aliados históricos do campo lulista e o grupo político mais próximo ao Palácio dos Leões.
Analistas políticos avaliam que o episódio expõe um desgaste raro para um governador ainda no exercício do mandato, colocando em xeque sua influência junto ao governo federal.
Projeto familiar amplia crise
A defesa pública de uma sucessão dentro do próprio núcleo familiar tem sido apontada por setores da base como fator central da crise. Integrantes do PT avaliam que a estratégia fortalece a narrativa de personalização do poder e dificulta a construção de consenso político amplo.
Mesmo diante das pressões nacionais, interlocutores do governo estadual afirmam que Brandão permanece irredutível e considera consolidada a candidatura defendida por seu grupo político.
Relação com Planalto entra em zona de tensão
O impasse ocorre em meio a tentativas do Palácio do Planalto de evitar uma ruptura aberta no Maranhão. A preocupação do governo federal é impedir divisão interna em um dos estados que historicamente garante forte votação ao presidente Lula.
Nos bastidores, porém, cresce a percepção de que a insistência do governador pode acelerar seu isolamento político e comprometer seus próprios planos eleitorais para 2026.