A Polícia Federal suspeita que o senador Weverton Rocha (PDT-MA) tentou interferir em uma investigação sobre o assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, ocorrido em São Luís em 2022. Segundo informações da Folha de S.Paulo, a PF encontrou no celular do parlamentar comunicações frequentes com o ministro Humberto Martins, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), justamente no período em que o magistrado relatava o caso. A investigação apura se o homicídio tem relação com uma suposta cobrança de propina envolvendo Daniel Brandão, presidente do TCE-MA e sobrinho do governador Carlos Brandão.

A análise do celular de Weverton identificou mensagens, áudios, ligações e compartilhamento de arquivos com Humberto Martins entre janeiro de 2023 e outubro de 2025. Segundo a PF, os diálogos mostram uma proximidade que ia além de uma relação “meramente formal ou institucional” e incluíam conversas sobre processos sob responsabilidade do ministro. Os investigadores também apontam pedidos feitos pelo senador e um encontro pessoal no gabinete de Martins. Em um dos episódios destacados, Weverton telefonou para o ministro em 2 de junho de 2025 e, na mesma data, Martins determinou a transferência para Brasília de Gilbson Cutrim, condenado como executor do assassinato de João Bosco. O ministro não é formalmente investigado.

O caso é ainda mais amplo. Reportagem de Daniela Lima, do UOL, revela que a PF trabalha com a suspeita de que o assassinato esteja ligado a um esquema de corrupção envolvendo emendas parlamentares, contratos públicos e fraudes em licitações. Segundo relatório citado pelo UOL, o homicídio teria ocorrido após uma disputa sobre a divisão de propinas. A investigação alcança empresários e políticos e apura ainda possíveis tentativas de impedir que todos os envolvidos no crime fossem identificados. Raimundo Cutrim, ex-secretário do governo Brandão investigado por monitorar Flávio Dino e sua família, também aparece nessa frente.

O inquérito sobre o assassinato está atualmente no STF, sob relatoria de Flávio Dino, após as suspeitas envolvendo Weverton levarem o caso ao Supremo. O senador e Humberto Martins não se manifestaram à Folha. Daniel Brandão nega qualquer envolvimento no assassinato ou em negociação de propina e afirma estar à disposição das autoridades. Carlos Brandão também tem negado irregularidades e atribui as acusações a disputas políticas. As investigações seguem em andamento e ainda não há conclusão definitiva sobre as responsabilidades dos citados.