
Em entrevista publicada na terça-feira (11) pelo jornal O Estado de S.Paulo, a senadora maranhense Eliziane Gama (Cidadania) denunciou o machismo de colegas parlamentares na formação do grupo que integra a CPI da Covid-19, que investiga ações e omissões do governo no combate à pandemia. Ao repórter Vinícius Valfré, Eliziane afirmou que “não queriam a voz das mulheres na CPI”e que a misoginia partiu tanto de vozes da base governista quanto da oposição.
“Havia machismo. O grupo de mulheres é da base e da oposição ao governo. Se temos mulheres de todos os lados, o que me resta de opção é: não queriam a voz das mulheres na CPI. Se fosse um debate de base e de oposição, eles estariam brigando pela presença de mulheres da base. O problema não era estar ligado ao governo ou não, mas não querer a presença feminina ali”, declarou.
Única senadora mulher pelo Maranhão, Eliziane esteve no centro de um embate provocado por Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), o filho 01 de Jair Bolsonaro (sem partido), no fim de abril. Apesar de compor a lista de integrantes da Comissão, em sessão da Comissão, ela pediu a palavra pra rebater uma ironia feita pelo filho do mandatário sobre a falta de presença feminina no colegiado.
Desequilíbrio na base bolsonarista
Diante do aumento das evidências de que o governo federal tratou com omissão a crise sanitária, a parlamentar também comentou ver sinais de desequilíbrio em integrantes do governo que tentam conter a investigação.
“Muitos parlamentares da base estão emocionalmente abalados, pessoas que têm até postura de muito equilíbrio de repente ficaram desorientadas. Veja o próprio Ciro Nogueira (líder da tropa de choque do governo na CPI). A gente não percebia Ciro nesses arroubos. De repente, está totalmente desequilibrado. É muito nítida a tensão na base do governo”, disse.
Eliziane vê evidências da omissão de Bolsonaro
Após ouvir os depoimentos de Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, ambos ex-ministros da saúde, e do atual chefe da pasta, Marcelo Queiroga, Eliziane Gama também afirmou estar claro que o presidente prestigiou posições políticas e ideológicas na condução da pandemia.
“A gente começa a constatar de forma mais real, com os depoimentos, aquilo que vínhamos percebendo na postura do presidente, que é colocar as questões ideológicas e políticas acima das questões científicas e técnicas. Vimos isso nos depoimentos do Teich e do Mandetta. E quando conversamos com Queiroga, nós o vemos liso, tenso, com medo de desagradar ao presidente, com medo de falar o que realmente pensa. Ele tinha medo de como isso poderia repercutir na permanência dele no cargo”, expôs.
Ao jornal, a senadora apontou que, na sua opinião, o mais grave até o momento é a evidência de que o governo federal deliberadamente colocou questões ideológicas acima da ciência.
“Isso significa vidas perdidas. Tentar, por exemplo, mudar uma bula, criar um protocolo à revelia das orientações da ciência é, no meu entendimento, algo criminoso. O Teich, mesmo não querendo atacar o governo, deixou claro que saiu por causa da cloroquina. Queiroga não quis fazer juízo de valor da fala do presidente, mas claramente não concordava”.
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