O PSB expulsou o prefeito de Campestre do Maranhão, Fernando Bermuda, após a repercussão das mensagens em que ele teria ameaçado demitir servidores municipais que votassem no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão foi tomada pela Executiva Estadual da legenda e formalizada na Resolução nº 008/2026, aprovada por unanimidade em reunião extraordinária realizada no último sábado (8).

O partido classificou a conduta de Bermuda como “grave infidelidade partidária” e determinou o cancelamento de sua filiação. Além das ameaças atribuídas ao prefeito, o PSB levou em consideração sua atuação em grupos e canais de mensagens para pedir apoio a candidatos de outras legendas, contrariando a orientação política adotada pelo partido nas eleições deste ano.

O caso ganhou repercussão após a divulgação de mensagens nas quais Bermuda teria associado a permanência de servidores na prefeitura ao resultado das eleições. Em uma delas, o prefeito teria afirmado que funcionários que votassem em Lula seriam demitidos depois do pleito. Também foi divulgado um jingle produzido com inteligência artificial relacionando a manutenção dos empregos ao apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL).

As alegações sobre dificuldades financeiras apresentadas pelo prefeito também passaram a ser questionadas. Segundo O Imparcial, Campestre do Maranhão recebeu mais de R$ 185 milhões em recursos federais entre janeiro de 2023 e julho de 2026. Mesmo assim, Bermuda teria falado em cortes na administração e indicado que apoiadores do PT poderiam ser os primeiros atingidos.

Apesar de eleito pelo PSB, Bermuda vinha mantendo aproximação política e administrativa com o grupo do governador Carlos Brandão (MDB). Há registros públicos de agendas entre os dois, inclusive em Campestre do Maranhão, onde o prefeito agradeceu a parceria com o Governo do Estado durante a entrega de investimentos. Bermuda também esteve entre prefeitos presentes em articulações da base governista e declarou apoio à reeleição do deputado federal Fábio Macedo (PODE).

A proximidade ganha relevância diante das razões apresentadas pelo PSB para a expulsão. Enquanto a legenda integra nacionalmente o campo de apoio a Lula, Bermuda passou a defender candidatos de outros partidos e acabou afastado após a divulgação das mensagens dirigidas aos servidores municipais. A resolução partidária registra ainda que as condutas atribuídas ao prefeito podem apresentar características de abuso de poder político e poderão chegar à análise da Justiça Eleitoral.

Bermuda reconheceu posteriormente ter utilizado palavras e um tom inadequados, mas negou ameaça ou perseguição política contra funcionários. Segundo o prefeito, nenhum servidor foi demitido, afastado ou punido em razão de sua escolha eleitoral. A expulsão encerra o vínculo de Bermuda com o PSB, mas não provoca automaticamente a perda do mandato de prefeito.