O entorno político do senador Weverton Rocha (PDT-MA) garante que a operação da Polícia Federal deflagrada na última terça-feira (4) não alterou os planos de reeleição do parlamentar. Apesar das investigações que atingiram familiares e pessoas próximas ao senador, integrantes da campanha afirmam que seu nome está mantido na disputa pelo Senado e descartam, neste momento, qualquer discussão sobre substituição da candidatura. Em nota divulgada após a operação, Weverton afirmou que permanecerá candidato, disse que não foi alvo direto das buscas e classificou a investigação como um “ataque” em razão de suas posições políticas.
Nos bastidores da política maranhense, entretanto, a leitura é diferente. A avaliação predominante entre lideranças políticas e observadores da sucessão estadual é que a manutenção da candidatura se tornou cada vez mais difícil diante do avanço das investigações. Embora não exista qualquer movimento formal para substituí-lo, cresce a percepção de que o desgaste provocado pela operação pode comprometer a viabilidade eleitoral de Weverton e impor um elevado custo à chapa que disputar as eleições de outubro.
Reportagem publicada pelo Metrópoles nesta quarta-feira (5) informa que pessoas envolvidas na campanha eleitoral no Maranhão afirmam não haver, neste momento, qualquer perspectiva de mudança na candidatura, mesmo diante de novos desdobramentos da Operação Sem Desconto.
Segundo o veículo, interlocutores avaliam que uma eventual substituição dependeria de uma ampla articulação entre partidos e lideranças da base, sobretudo pelo fato de Weverton ter sido escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar a reeleição ao Senado.
A reportagem relembra ainda que, em fase anterior da investigação, a Polícia Federal chegou a pedir a prisão do senador, medida rejeitada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Na prática, a permanência de Weverton mantém em aberto uma disputa interna na chapa governista ao Senado. Além do pedetista, integram o grupo a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) e o médico e ex-prefeito de Santa Rita, Hilton Gonçalo (Mobiliza), três nomes para duas vagas. Nesse cenário, uma eventual mudança na candidatura reconfiguraria a composição da chapa e reduziria a pressão política sobre o grupo liderado pela família Brandão na definição dos espaços eleitorais.