Uma grave crise institucional atingiu o Ministério Público após o ex-coordenador do GAECO, Luiz Muniz, denunciar o Procurador-Geral de Justiça (PGJ), Danilo Castro, por má conduta e interferência direta no caso Turilândia. Em carta aberta, Muniz desmente a narrativa da chefia, afirmando que o PGJ não apenas sabia das manobras para soltura de investigados, como foi o mentor da estratégia para desarticular o trabalho técnico do grupo de elite. A denúncia expõe uma subversão da função ministerial, onde a cúpula teria atuado para favorecer réus em detrimento das robustas provas colhidas pela investigação.

Promotor Luiz Muniz, autor das denúncias contra o titular da PGJ


Segundo Muniz, a interferência de Danilo Castro foi deliberada e ocorreu inclusive via contatos do exterior. O ex-coordenador detalha que o PGJ ordenou pareceres favoráveis à liberdade de figuras como Paulo Curió, ignorando alertas técnicos de que a medida comprometia o caso. Tal conduta é descrita como um abuso de autoridade administrativa, onde a vontade política da cúpula atropelou a independência funcional dos promotores, fragilizando a imagem da instituição perante o Poder Judiciário.

Os bastidores indicam tentativas de “maquiar” a atuação ministerial, com assessores do PGJ orientando o GAECO a “florear” textos jurídicos para justificar as solturas. Muniz relata ainda pedidos para que investigados não usassem uniformes prisionais em depoimentos, o que fere a isonomia e demonstra um tratamento privilegiado. Para o promotor, essas intervenções concretas provam que a cúpula buscou moldar o processo para atender a pleitos da defesa, distanciando-se do rigor técnico.

O episódio expõe o isolamento da Procuradoria-Geral frente aos tribunais. O Judiciário, ao manter as prisões, ratificou o entendimento original do GAECO e criticou a postura contraditória do órgão, mencionando violação à boa-fé processual. Não fazia sentido mobilizar o aparato estatal para prisões preventivas e, logo após, pedir a liberdade sem fatos novos. Essa dissonância confirma que a manobra do PGJ carecia de base jurídica, sustentando-se apenas em conveniências políticas.

A crise culminou no pedido de exoneração coletiva de dez promotores do GAECO, sinalizando o esgotamento da gestão de Danilo Castro. Ao afirmar possuir áudios que comprovam a coação, Luiz Muniz desafia o procurador-geral a autorizar a divulgação das conversas. O caso Turilândia agora simboliza uma resistência interna contra o aparelhamento do Ministério Público, reforçando que a credibilidade da instituição depende da transparência e da verdade, não de narrativas fabricadas pela cúpula.

Leia abaixo a carta na integra