A última semana de fevereiro foi especialmente amarga para o governador do Maranhão, Carlos Brandão. Dono de uma estrutura administrativa robusta e de um orçamento bilionário, ele assiste, impotente, ao esvaziamento de sua base política e à perda de partidos estratégicos. Tudo isso apenas evidencia a falta de habilidade de articulação daquele que se autointitula um governador municipalista.
A mais recente derrota veio com a movimentação de Roberto Rocha, que assumiu o controle do PSDB no Maranhão e retirou a legenda da órbita do Palácio dos Leões. O gesto expõe a incapacidade de articulação do grupo governista e reforça a imagem de um chefe do Executivo que se perdeu ao romper com o grupo político que o ajudou a se eleger em 2022.
- “Nós apostamos no Maranhão do futuro, enquanto o governo aposta em um modelo do familiar e para poucos”, destaca Carlos Lula
- Flávio Bolsonaro deve muito a Toffoli; é amigo do amigo de seu pai
Como efeito colateral imediato, o secretário-chefe da Casa Civil, Sebastião Madeira, deve deixar o ninho tucano para se abrigar no MDB, movimento que, longe de representar força, evidencia uma fuga para sobreviver fora de um projeto que dá sinais de naufrágio.
UMA SÉRIE DE DERROTAS
A debandada não começou agora. Brandão já havia perdido o PSB, viu a relação com o PT se deteriorar e enfrenta dificuldades reais para montar chapas competitivas para 2026. A incapacidade de estruturar uma nominata proporcional competitiva tornou-se mais um elemento de desgaste interno.
A cada movimento, o governador vê diminuir seu raio de influência, inclusive no cenário nacional, onde sua presença é cada vez mais discreta.
TRAIÇÃO AO GRUPO POLÍTICO
O projeto de independência política de Brandão não apenas falhou. Virou motivo de piada entre adversários e antigos aliados.
A tentativa de trilhar um caminho próprio, longe do grupo político que trabalhou em sua eleição em 2022, tem se mostrado um fracasso anunciado. Ao mesmo tempo em que tenta emplacar o sobrinho como candidato ao governo a qualquer custo, Brandão se revela um gestor isolado, com dificuldades de diálogo e sem capacidade de impor sua agenda.
O governador tem a máquina, tem recursos, mas padece pela falta de diálogo e de articulação política.
O resultado é um governador cada vez mais solitário, com dificuldades de mobilização, sem protagonismo nacional e dependente de uma base que já não parece tão leal.