O rumoroso assassinato do empresário João Bosco, ocorrido em agosto de 2022 na entrada do edifício Tech Office, voltou a incendiar os bastidores políticos do Maranhão. Em uma manobra que levanta suspeitas de abuso de autoridade e “investigação paralela”, a Superintendência de Investigações Criminais (Seic) emitiu a Intimação nº 4840/2026 para ouvir Lorena Santos da Silva Santos, esposa de Gilbson Cutrim — condenado a 13 anos pelo crime.

A tentativa de depoimento, prevista para o último dia 20 de fevereiro perante o delegado Ricardo Carneiro Aguiar, esbarra em um conflito jurídico central: o caso foi federalizado em 2025, retirando a competência da Polícia Civil estadual sobre o mérito das investigações.

Proteção em Brasília e Denúncias de Envenenamento

Lorena Santos não foi localizada para receber a intimação. Segundo informações do jornalista Marco Aurélio d’Eça, ela se encontra em Brasília em busca de segurança. A dona de casa ganhou notoriedade nacional ao denunciar graves violações contra o marido no sistema prisional maranhense, incluindo uma suposta tentativa de envenenamento por meio de medicamentos psicotrópicos administrados sem acompanhamento médico.

Foi Lorena quem articulou a intervenção da Polícia Federal, que agora conduz diligências sob supervisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF). Há relatos de que Gilbson Cutrim estaria em processo de inclusão no programa de proteção a testemunhas, visando garantir sua integridade física para futuros depoimentos.

O “Fator Daniel Brandão” e o Aparelhamento da Polícia

A insistência da Seic em intimar Lorena, mesmo com o processo sob jurisdição federal, levanta questionamentos sobre um possível aparelhamento da Polícia Civil para fins políticos. Lorena afirmou publicamente — em vídeos e manifestações — que haveria pressões e ofertas de pagamentos para que seu marido não citasse o nome de Daniel Brandão, sobrinho do governador Carlos Brandão, no contexto do crime.

Embora tais alegações ainda dependam de confirmação judicial definitiva, o cenário sugere uma tentativa de coação:

  • Por que a Seic atua agora? A intimação parece ser uma estratégia para monitorar os passos da esposa do preso e exercer pressão psicológica, em um momento em que o caso foge ao controle do estado.
  • Preocupação no Palácio: Nos bastidores, o governador Carlos Brandão tem manifestado a interlocutores próximos sua profunda preocupação com os desdobramentos do caso nas instâncias federais.

Conflito de Competência

Especialistas apontam que qualquer investigação conduzida pela Polícia Civil sobre fatos vinculados ao Tech Office, após a federalização de 2025, carece de validade jurídica e pode configurar desvio de finalidade. A movimentação da Seic sugere que as autoridades estaduais tentam manter uma “investigação sombra” para antecipar ou neutralizar o que Gilbson possa revelar à Polícia Federal.

Enquanto Lorena permanece na capital federal sob o amparo das cortes superiores, o caso João Bosco deixa de ser apenas um processo criminal para se tornar o maior teste de independência das instituições do Maranhão frente ao Poder Executivo.