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Na última quinta-feira, o presidente Jair Bolsonaro admitiu que não tem provas para afirmar que há risco de fraude no sistema de urnas eletrônicas. Bolsonaro havia convocado os veículos de imprensa e usou a emissora pública de televisão para uma transmissão em tempo real.

A transmissão teve duas horas de duração e Bolsonaro abordou diversos temas que não são relacionados às eleições. Na ocasião, o presidente apresentou uma série de notícias inverídicas e vídeos que já foram desmentidos por órgãos oficiais. “Os que me acusam de não apresentar provas, eu devolvo a acusação. Apresente provas de que ele não é fraudável”, falou Bolsonaro em determinado momento.

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Minutos depois, o presidente admitiu que não tem como comprovar que as eleições foram fraudadas. “Não tem como se comprovar que as eleições não foram ou foram fraudadas”, disse Jair. Ele ainda prosseguiu esclarecendo que não tem provas.

Durante a transmissão, Bolsonaro esteve acompanhado de um “especialista” que havia sido apresentado por ele como “Eduardo, analista de inteligência”. Logo após, o governo informou que Eduardo Gomes da Silva é coronel do Exército e ex-assessor especial do ministro Luiz Eduardo Ramos.

Segundo o currículo divulgado pelo Planalto, ele não possui qualquer especialização na área de programação ou segurança da informação.

Notícias falsas

Entre o material exposto na live havia um vídeo antigo em que um programador dizia simular o código-fonte de uma urna eletrônica para, em seguida, mostrar supostas formas de fraudar o sistema.

“Em termos de dispositivo de hardware, a urna é um computador. Porém, não é um computador comum de mercado, mas sim projetado conforme exigências estabelecidas pelo TSE para garantir a segurança de seu hardware”, detalha o Tribunal Superior Eleitoral, em nota.

Ainda na transmissão, Bolsonaro criticou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Barroso, que é contrário à adoção do voto impresso. Bolsonaro declarou que ele quer “manter a suspeição das eleições” e levantou suspeitas de que Barroso teria atuado junto a parlamentares para tentar barrar o avanço da PEC do voto impresso.

TSE desmente Bolsonaro nas redes sociais

Ainda durante a live, o TSE usou suas redes sociais para divulgar mais uma vez checagens que já haviam sido feitas anteriormente e desmentiam os boatos sobre o sistema eleitoral. Ao todo, foram rebatidas 18 alegações de Jair Bolsonaro.

Em um vídeo é explicado que 46 países usam urnas eletrônicas e 16 adotam sistema que não possui impressão de comprovante. Bolsonaro afirmou que eram apenas 3.

O TSE destacou também que a suposta fraude que Bolsonaro denunciou ter ocorrido em Caxias (MA) não aconteceu. “Para investigar o boato criado em 2008, a Polícia Federal periciou as 10 urnas eletrônicas supostamente violadas e descartou violação física e adulteração dos programas instalados no aparelho, assim como a presença de arquivos contaminados por vírus”, esclarece a publicação.

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