Raimundo Cutrim, ex-secretário de Assuntos Legislativos do governo Carlos Brandão, voltou a ser alvo de busca e apreensão da Polícia Federal nesta terça-feira (11). Desta vez, a medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma investigação relacionada às reportagens do jornalista Luís Pablo sobre o suposto uso irregular de veículos oficiais por Flávio Dino e familiares. Segundo a Corte, a operação foi solicitada pela Polícia Federal e teve aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Cutrim aparece na investigação como fonte das reportagens publicadas pelo jornalista. Segundo a defesa do ex-secretário, a identificação teria ocorrido após a análise de aparelhos eletrônicos apreendidos anteriormente com Luís Pablo. O advogado José Berilo de Freitas Leite criticou a medida e afirmou que seu cliente está sendo investigado na condição de fonte jornalística. Já a assessoria de Flávio Dino nega qualquer uso irregular dos veículos e afirma que um carro blindado do Tribunal de Justiça do Maranhão foi cedido por solicitação da Secretaria de Segurança do STF, dentro de acordo de cooperação com os tribunais.

A nova operação coloca novamente no centro das investigações um nome que, até poucas semanas atrás, integrava o primeiro escalão de Carlos Brandão. Cutrim ocupava a Secretaria de Assuntos Legislativos quando foi alvo, em julho, de outra operação da PF, naquele caso por determinação de Flávio Dino. O ex-secretário passou a cumprir prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica, e foi afastado do cargo. Brandão posteriormente formalizou sua exoneração.

Os dois procedimentos, contudo, têm origens distintas. A investigação anterior tramita sob sigilo e envolve suspeitas de coação e obstrução da Justiça. Já a operação desta terça está relacionada ao caso do jornalista Luís Pablo. Em março, o próprio jornalista havia sido alvo de busca e apreensão autorizada por Moraes depois de publicar informações sobre os veículos utilizados por Dino e familiares.

O novo episódio também chama atenção pelo momento político. Na semana passada, Brandão atacou publicamente Flávio Dino e questionou a atuação do ministro em processos envolvendo políticos maranhenses. Ao citar justamente o caso de Cutrim, o governador afirmou que seu então secretário era “inimigo pessoal” de Dino e questionou a imparcialidade do ministro. Agora, menos de uma semana depois dessas declarações, Cutrim volta a ser alvo da Polícia Federal, desta vez por ordem de outro ministro do STF, Alexandre de Moraes, a pedido da própria PF e com aval da PGR.

A sequência dos fatos amplia a pressão sobre um personagem que ocupava posição estratégica no governo Brandão e evidencia que as investigações envolvendo Cutrim não estão restritas a decisões de Flávio Dino, como sugeriu o governador ao criticar publicamente o ministro. A defesa do ex-secretário afirma não ter tido acesso à íntegra dos autos e questiona as medidas adotadas contra alguém identificado como fonte de um jornalista.