Governador teria consultado assessores sobre pesquisa para medir desgaste provocado pelas investigações e seus efeitos sobre a chapa governista
A permanência do senador Weverton Rocha (PDT-MA) na disputa pela reeleição passou a preocupar o núcleo político do governador Carlos Brandão. Segundo a Coluna do Estadão desta terça-feira (11), Brandão e seus principais interlocutores discutem os efeitos das investigações envolvendo o senador e, principalmente, o risco de o desgaste atingir a candidatura de Orleans Brandão (MDB), sobrinho do governador, ao Palácio dos Leões.
De acordo com a publicação, Brandão chegou a consultar assessores próximos sobre a possibilidade de encomendar, em tempo hábil, uma pesquisa quantitativa e qualitativa para medir o impacto do caso. A preocupação central seria identificar se a permanência de Weverton na chapa pode provocar uma contaminação eleitoral sobre Orleans e comprometer o projeto do grupo na disputa pelo Governo do Maranhão.
A informação reforça as dúvidas que já vinham cercando a candidatura de Weverton nos bastidores políticos do estado. Na semana passada, apesar de o entorno do senador sustentar publicamente que sua candidatura estava mantida, já havia avaliações sobre as dificuldades políticas para sustentá-la diante dos desdobramentos das investigações. Agora, segundo o Estadão, o próprio grupo de Brandão passou a avaliar os possíveis efeitos eleitorais do caso.
A composição desenhada pelo grupo governista tem Orleans Brandão na disputa pelo Palácio dos Leões e Weverton Rocha e a ex-governadora Roseana Sarney (MDB) como candidatos ao Senado. A situação do pedetista, portanto, deixou de representar apenas um problema individual e passou a entrar nos cálculos eleitorais da chapa liderada pelo sobrinho do governador.
Há, contudo, outro componente que torna qualquer mudança mais complexa. Segundo a Coluna do Estadão, interlocutores afirmam que a presença de Weverton na composição atendeu a um pedido direto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma eventual retirada do senador, portanto, exigiria de Brandão uma articulação capaz de reorganizar a chapa sem abrir uma nova frente de desgaste político com o presidente.
A revelação do Estadão muda o patamar da discussão sobre o futuro eleitoral de Weverton. Se até agora o discurso público era de manutenção da candidatura, a possibilidade de medir por pesquisa o tamanho do desgaste mostra que a permanência do senador já entrou efetivamente no cálculo político do grupo de Brandão, sobretudo pelo receio de que o caso passe a cobrar um preço eleitoral também de Orleans.