Por: André Bello
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou a dirigentes petistas, durante o encontro nacional em Salvador, que o presidente Lula não apoiará Orleans. Negar essa informação é enxugar gelo, pois a verdade sempre se impõe sobre narrativas artificiais.
Lula mantém diálogo institucional com o governador Brandão, mas o projeto do sobrinho está vetado. Além dos problemas já apontados pelas pesquisas quantitativas e sobretudo pelas qualitativas, a própria trajetória de Lula não comporta o apoio a um projeto de caráter familiar.
A preferência de Lula é clara: Brandão candidato ao Senado e Felipe Camarão ao governo do Maranhão. Brandão terá o Senado com as portas abertas e seus parentes poderão concorrer a diversos cargos. Isso jamais seria uma derrota para o atual governador. Caso a família Brandão diga não ao presidente e decida permanecer no governo contra Lula, dois caminhos se abrem no estado.

O primeiro caminho é a candidatura própria de Felipe Camarão, que tende a ir ao segundo turno impulsionada pela força do lulismo. Lula tem 73% das intenções de voto no Maranhão e 49% dos eleitores afirmam que votam no candidato apoiado por ele. Com o início da propaganda eleitoral na televisão, esse eleitorado naturalmente escolherá Felipe, respaldado por sua biografia de professor e gestor público, com resultados concretos apresentados nos governos de Flávio Dino.
O segundo caminho é Lula apoiar Braide ao governo. Nesse cenário, Lula indicaria os dois candidatos ao Senado, sendo Felipe Camarão um deles. Embora o PSD tenha candidato próprio à Presidência, Kassab liberou os estados para definirem seus arranjos eleitorais em 2026, como já ocorre na Bahia, e o Maranhão pode seguir a mesma lógica. Esse parece ser o plano prioritário de Braide. Uma chapa com Felipe para o Senado e Braide para o governo representa uma vitória sobre Orleans.
Edinho Silva é o porta voz direto do presidente Lula, e essa decisão, já comunicada ao PT do Maranhão, revela qual é a prioridade política de Lula para o estado. Agora, a escolha está com Brandão: disputar o Senado com o apoio de Lula ou dizer não ao presidente e perder o governo e o Senado.
A classe política já compreendeu que o projeto familiar não tem viabilidade. As reações da população seguem na mesma toada, e nem mesmo a sangria dos cofres públicos terá o efeito de outras épocas. Os tempos mudaram muito. No momento eleitoral o povo seguirá o lulismo no Maranhão, e não as obrigações impostas decorrentes das verbas públicas.
A política é feita de escolhas, mas também de tempo. Quem demora a decidir, muitas vezes decide tarde demais.
André Bello
Pós doutor em Ciência Política pela UnB e UFMG
Adjunto de Representação Institucional da Vice Governadoria