Em publicação nas redes sociais, Gaudêncio Neto (PSB) apresentou Orleans Brandão como candidato ao governo; Operação Habeas Votum apura crimes contra uma mulher que apoiava candidaturas diferentes

São Luís (MA) – A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta segunda-feira (28), a Operação Habeas Votum, que investiga suspeitas de coação eleitoral, estupro, ameaça e abuso de autoridade contra uma mulher no município de Colinas, no interior do Maranhão. Foram presos o investigador da Polícia Civil e vereador Gaudêncio Neto (PSB) e o delegado Wlisses Alves.

Em uma publicação no Instagram, feita dias antes da operação, Gaudêncio Neto apresentou o que chamou de “time”: Orleans Brandão (15), para governador; Vinicius Ferro (1533), para deputado federal; e Bruna Pessoa (15800), para deputada estadual. A PF não cita candidatos nem partidos em sua nota e não relaciona nenhum deles à investigação.

De acordo com a PF, a vítima e os investigados apoiavam candidaturas diferentes nas eleições de 2026. A investigação aponta que ela teria sido submetida a violência sexual e a ameaças, como forma de intimidação para que parasse de fazer manifestações políticas nas redes sociais.

Mandados e medidas cautelares

Por determinação da Justiça, foram cumpridos dois mandados de prisão temporária, três de busca e apreensão em residências e dois de busca pessoal. A Justiça também determinou o afastamento dos dois investigados das funções públicas e a suspensão do porte de arma.

Segundo a PF, as medidas buscam preservar provas, impedir a possível continuidade das condutas investigadas e garantir a segurança da vítima e de outras pessoas. Como há indícios de ligação entre as intimidações, o possível uso abusivo da função pública e as divergências político-eleitorais, o caso tramita sob supervisão da Justiça Eleitoral.

Quem são os investigados

Gaudêncio Correia Lima Neto tem 62 anos e nasceu em São Luís. Investigador da Polícia Civil do Maranhão, foi eleito suplente de vereador pelo PSB em Colinas, cidade a cerca de 440 km da capital, em 2024. Ele também disputou o cargo em 2016 e 2020, sem sucesso. É investigado por suspeita de coação eleitoral.

Wlisses Alves é delegado da Polícia Civil, lotado na Delegacia de Colinas, e pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal. Além de coação eleitoral, foi denunciado por estupro. Em uma rede social, o delegado divulga resultados de operações e prisões na região, algumas feitas em parceria com Gaudêncio Neto.

Possíveis crimes

Os investigados poderão responder, em tese, por coação eleitoral, estupro, associação criminosa armada, ameaça e abuso de autoridade. Outras infrações ligadas ao caso podem ser identificadas ao longo da apuração.

A PF ressaltou que as investigações continuam e que as responsabilidades individuais só serão apontadas após a conclusão das diligências, em relatório final.

PF investiga coação eleitoral e estupro contra mulher em Colinas, no MA — Foto: Divulgação/PF

Posicionamento da SSP-MA

Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informou que acompanha o caso e que as determinações judiciais estão sendo integralmente cumpridas, inclusive o afastamento do delegado. A vítima prestou depoimento na Casa da Mulher Brasileira e recebe atendimento especializado, segundo o órgão.

A SSP-MA afirmou ainda que não compactua com desvios de conduta de integrantes do sistema de segurança e que adotará as providências administrativas cabíveis. O órgão se colocou à disposição da PF e das demais autoridades para colaborar com as investigações.

A defesa dos investigados não havia se manifestado até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.