Uma SW4 que Gilbson César Soares Cutrim Júnior afirma pertencer a Orleans Brandão aparece em um dos trechos de seu depoimento à Polícia Federal sobre os acontecimentos relacionados ao caso Tech Office e ao assassinato do empresário João Bosco Oliveira, em São Luís.

O relato foi reproduzido na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento de Daniel Brandão da presidência do TCE-MA por 180 dias.

Daniel Brandão, conselheiro afastado do TCE por decisão do STF

No depoimento, Gilbson relata um suposto esquema de cobrança de propinas de fornecedores do Governo do Maranhão. Segundo sua versão, os pagamentos e a movimentação dos valores aconteciam em encontros realizados dentro de veículos, utilizados como locais para conversas e entrega de dinheiro.

É nesse contexto de encontros em carros que os veículos ganham importância no relato apresentado à Polícia Federal.

Ao reconstruir os acontecimentos no Tech Office, Gilbson afirma ter identificado uma caminhonete utilizada por Marcus Brandão, irmão do governador Carlos Brandão e pai de Orleans Brandão.

“Quando eu cheguei lá, eu vi a caminhonete de Marcos”, declarou.

Questionado pela delegada sobre qual seria o veículo, respondeu:

“Uma SW4 cinza.”

Na sequência, Gilbson afirmou que Marcus utilizava a caminhonete, mas atribuiu a propriedade do veículo a Orleans Brandão.

Homicídio, propina e obstrução da Justiça: as principais suspeitas e acusações que pesam contra Daniel Brandão

“Ele andava nela, mas ela é de Orleans. Orleans Brandão”, afirmou.

A Polícia Federal também perguntou onde Marcus Brandão estava naquele momento. Segundo Gilbson, ele estava “dentro da caminhonete”.

Trecho do depoimento de Guilbson Cutrim anexado a decisão do Ministro Flavio Dino

Empresário é assassinado a tiros no bairro da Ponta d’ Areia

Carros aparecem como pontos de encontro

A utilização de veículos chama atenção porque, segundo o relato de Gilbson, os carros faziam parte da dinâmica dos encontros relacionados às cobranças de dinheiro de fornecedores. O depoente descreve reuniões e movimentações em veículos para tratar dos valores que afirma serem cobrados.

No dia do crime, a presença da SW4 atribuída a Orleans volta a aparecer nessa dinâmica.

Gilbson relata que Daniel Brandão chegou ao local e que, posteriormente, Beto Castro apareceu acompanhado de João Bosco. Durante a discussão, teria surgido a proposta de continuar a conversa dentro de um dos carros.

Gilbson afirma que inicialmente acreditou que seguiriam justamente para o veículo onde estava Marcus Brandão.

“Eu pensei que ia para o carro de Marcos”, declarou.

Segundo seu relato, ele caminhou com o grupo acreditando que iriam até a SW4. Ao perceber que estavam seguindo para outro veículo, afirma ter desconfiado da situação e parado.

“Quando eu percebi que estava indo para o outro carro, eu parei”, relatou.

A discussão que se seguiu terminou com o assassinato de João Bosco.

Marcus brandão, pai do candidato Orleans Brandão que estaria conduzindo o veículo Toyota SW4 cinza

SW4 seria de Orleans, segundo Gilbson

O depoimento coloca, portanto, os veículos como elementos recorrentes na narrativa de Gilbson sobre os encontros e a movimentação relacionada às supostas cobranças.

No caso específico da SW4, Gilbson faz três afirmações: o veículo seria de Orleans Brandão; era utilizado por Marcus Brandão; e Marcus estaria dentro da caminhonete no Tech Office.

Orleans Brandão é filho de Marcus, sobrinho do governador Carlos Brandão e primo de Daniel Brandão.
As declarações fazem parte da investigação conduzida pela Polícia Federal e precisam ser analisadas em conjunto com as demais provas e depoimentos reunidos no inquérito.

abaixo a decisão do ministro Flavio Dino na Integra