A Polícia Federal concluiu que Raimundo Cutrim, ex-secretário de Assuntos Legislativos do governo Carlos Brandão (MDB), teria usado sua condição de agente público para obter informações restritas sobre veículos utilizados pelo ministro Flávio Dino e repassá-las ao blogueiro Luís Pablo. Segundo relatório revelado pela jornalista Daniela Lima, do UOL, conversas encontradas no WhatsApp do comunicador mostram que foi Cutrim quem obteve as informações e imagens posteriormente publicadas. Os dados, segundo a PF, estavam em sistemas de acesso controlado, que exigem cadastramento prévio de usuário e senha.

O caso ganha maior gravidade porque Cutrim também é investigado no STF por suspeita de oferecer propina para retirar nomes de políticos da apuração sobre os mandantes do assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, ocorrido em 2022. Essa investigação chegou ao gabinete de Flávio Dino em 24 de outubro de 2025. Dias depois, segundo o UOL, começou o monitoramento do ministro e de sua família no Maranhão, levando a Secretaria de Segurança do STF a acionar a Polícia Federal. Na época em que manteve as conversas identificadas pelos investigadores, Cutrim ocupava cargo no primeiro escalão do governo Brandão.

A investigação apontou ainda que o levantamento não teria ficado restrito aos carros oficiais utilizados por Dino: a PF encontrou indícios de acesso a informações sobre um veículo particular de um irmão do ministro. No material apreendido também surgiu outro personagem, Diogo Lima, apontado como alguém que orientava Luís Pablo na elaboração das publicações. A PF identificou um repasse de R$ 100 mil de Lima ao blogueiro e colocou sob suspeita a natureza meramente jornalística da relação. Luís Pablo afirma que o valor foi um empréstimo e que Lima, advogado, prestava orientação jurídica sobre os conteúdos publicados.

Cutrim aparece, hoje, em três frentes que tramitam sob sigilo no Supremo: a investigação sobre o monitoramento de Dino, relatada por Alexandre de Moraes; a apuração do assassinato de João Bosco, sob relatoria de Dino; e o caso do INSS, conduzido por André Mendonça. A defesa de Cutrim afirma não ter acesso aos autos das medidas determinadas por Dino e sustenta que sua identificação como fonte de Luís Pablo envolve a garantia constitucional do sigilo da fonte. As investigações ainda estão em andamento e não há conclusão definitiva sobre as responsabilidades dos envolvidos.