O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal nome da extrema direita na disputa presidencial, oficializou nesta quarta-feira (5) o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente. A escolha acontece após o fracasso das articulações do Partido Liberal para formar uma aliança mais ampla e coloca na chapa um parlamentar que ganhou projeção nacional pelo enfrentamento ao governo Lula, mas que também acumula controvérsias envolvendo sua atuação política e seu mandato.

Promotor de Justiça de carreira e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, Gaspar foi eleito deputado federal em 2022 e tornou-se uma das principais vozes da oposição ao comandar a relatoria da CPMI do INSS. O relatório apresentado por ele pedia o indiciamento de 216 pessoas, entre elas o senador maranhense Weverton Rocha (PDT-MA), além de ex-ministros, empresários e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Apesar da ampla repercussão política, o parecer acabou rejeitado por 19 votos a 12 e não se tornou a posição oficial da comissão.

A escolha para compor a chapa presidencial ocorre enquanto Gaspar enfrenta questionamentos em outras frentes. O Tribunal de Contas da União (TCU) realiza auditoria sobre R$ 6 milhões em emendas parlamentares destinadas ao município de São José da Laje (AL) por meio das chamadas emendas Pix, modalidade que se tornou alvo de críticas pela dificuldade de rastreamento da aplicação dos recursos. O caso também motivou representações encaminhadas à Procuradoria-Geral da República (PGR). O deputado sustenta que todas as transferências obedeceram à legislação e nega qualquer irregularidade.

Gaspar também passou a ocupar o centro de outra controvérsia após ser acusado, por parlamentares da oposição, de envolvimento em um caso de estupro de vulnerável. O deputado nega as acusações, afirma ser vítima de perseguição política e informou ter disponibilizado material genético para exame de DNA. O caso chegou às autoridades competentes, mas, até o momento, não há condenação judicial contra o parlamentar.

A indicação de Alfredo Gaspar evidencia a opção de Flávio Bolsonaro por reforçar o núcleo mais ideológico de sua campanha, após não conseguir atrair partidos de centro para a composição da chapa. Em vez de apostar em um nome capaz de ampliar alianças, o PL escolheu um aliado identificado com a linha mais combativa do bolsonarismo e cuja trajetória recente combina protagonismo na oposição ao governo Lula com uma sucessão de episódios que seguem produzindo repercussão política e jurídica.