Após não conseguir atrair o apoio do PT nacional para o projeto político de seu grupo, o governador Carlos Brandão passou a adotar medidas que, nos bastidores, são interpretadas por petistas como retaliação direta dentro do governo estadual. O governador Carlos Brandão começou a fechar as portas do governo justamente para aliados do próprio PT que, até pouco tempo, atuavam contra a candidatura própria do partido nas eleições estaduais.

A leitura dentro da legenda é de que esses dirigentes e aliados petistas trabalharam para enfraquecer a tese de uma candidatura própria, que teria como nome natural o vice-governador Felipe Camarão, e defenderam que o PT apoiasse o projeto do grupo palaciano, representado pelo sobrinho do governador, Orleans Brandão. Agora, porém, muitos deles enfrentam dificuldade para manter espaço na estrutura do governo e não conseguem emplacar sucessores nos cargos que deixaram para disputar as eleições.

O caso do ex-secretário Luiz Henrique Lula é citado como símbolo desse movimento. Ao deixar a Secretaria de Trabalho e Economia Solidária (Setres) para disputar as eleições, ele não conseguiu indicar um sucessor, algo que historicamente faz parte dos acordos políticos. Segundo relatos, situações semelhantes têm se repetido com outros petistas que se afastaram para concorrer, afetando a organização do partido no estado.

Luiz Henrique e seus aliados que o traíram

Nesse contexto, o governador nomeou Pedro Carvalho Chagas para acumular funções. Ele passou a responder interinamente tanto pela Secretaria de Meio Ambiente quanto pela própria Setres, a partir de abril de 2026. A decisão reforça a concentração de cargos e, na avaliação de aliados do PT, evidencia o isolamento da sigla dentro da gestão.

A situação também atinge outras áreas. Cricielle, filiada ao PT e, até então, diretora-geral do Iema, deixou o cargo para disputar as eleições e, nos bastidores, a avaliação é de que também não deve conseguir emplacar um sucessor. A tendência é que Jandira Gomes passe a acumular a direção do instituto com a Secretaria de Educação. Dentro do governo, o Iema é tratado como uma das estruturas mais robustas da máquina estadual.

Cricielle ex-diretora do IEMA

Na Sedihpop, Lília Raquel de Negreiros, aliada do deputado Zé Carlos, não se descompatibilizou. Já na Representação Institucional no Distrito Federal, Washington Luís, apontado como um dos principais articuladores contra uma candidatura própria do PT, também não conseguiu viabilizar a indicação de um substituto.

Para petistas, o conjunto dessas movimentações mostra que Brandão já trabalha com a possibilidade de seguir politicamente sem o partido. A leitura dentro da legenda é de que Lula não apoiará o governador, o que torna ainda mais visível o distanciamento entre o chefe do Executivo estadual e o campo petista no Maranhão