Por: Prof. Chico Gonçalves

A sistemática campanha interna de frações partidárias contra Felipe Camarão produziu um efeito contrário ao esperado. Parte da direção do PT se empenhou em carimbar Felipe como “dinista”, como se o adjetivo fosse ofensa; em espalhar a tese de que ele “já estaria com um pé” numa candidatura por outro partido e, de quebra, em empurrá-lo para disputar uma vaga de deputado federal, como se não reunisse condições de mobilizar petismo e lulismo num projeto majoritário de envergadura.

LEIA: Da herança de Dino ao isolamento: o encolhimento público de Carlos Brandão


Felipe respondeu a tudo isso com serenidade, firmeza e um grau de generosidade que raramente encontra retribuição na política miúda. Manteve a defesa de um projeto político e eleitoral petista, dialogou de modo permanente com a militância, reafirmou o protagonismo do PT no enfrentamento das desigualdades e foi acumulando, no chão do partido, aquilo que nenhuma reunião de cúpula fabrica: lastro político.


O resultado é expressivo e, para alguns, incômodo. Felipe hoje reúne o apoio da maioria dos diretórios municipais do PT. Sendo que não se trata de uma base que de cor única, pois traduz diferenças internas e sotaques políticos diversos, mas converge num ponto decisivo, no caso, unificar o partido em torno de uma estratégia política e eleitoral.


É com esse capital político que Felipe Camarão chega a Brasília. Não chega “convidado”; chega credenciado. E, goste-se ou não, o recado está dado: a base deu o rumo, diante de uma direção estadual incapaz de construir projeto partidário e coesionar a militância em um projeto comum.