A disputa política entre Pablo Marçal (PRTB) e Guilherme Boulos (PSOL), que marcou a campanha de 2024, agora segue no campo judicial. A 10ª Vara Cível de São Paulo condenou Marçal a pagar R$ 100 mil a Boulos por danos morais, após o ex-coach associar o adversário, sem apresentar provas, ao uso de cocaína.

Na decisão, a Justiça afirma que Marçal agiu com “dolo intenso” e que suas declarações ajudaram a construir uma narrativa ofensiva e criminosa contra Boulos. O processo ainda permite recurso ao Tribunal de Justiça.

Segundo o texto da sentença, não se tratou de uma simples opinião, ironia ou exagero de campanha. Para o juiz Danilo Fadel de Castro, houve uma ação planejada para enganar o eleitorado e atingir a honra do adversário, com uso do alcance nas redes sociais para ampliar o impacto.

Durante a campanha, Marçal repetiu diversas vezes a acusação e chegou a divulgar, na véspera do primeiro turno, um laudo que depois foi apontado como falso, afirmando que Boulos teria sido internado por causa de um suposto surto provocado por entorpecentes.

O caso também gerou desdobramentos na esfera eleitoral e criminal. A investigação apontou que o médico que “assinava” o documento já havia morrido há anos e ainda atuava em outra especialidade, o que reforçou a suspeita de falsificação. A repercussão negativa do episódio pesou contra Marçal, que não conseguiu votos suficientes para avançar ao segundo turno.