O homem condenado pelo assassinato do empresário João Bosco Sobrinho afirmou à Polícia Federal que levava dinheiro de propina para Carlos Brandão dentro do Palácio dos Leões, sede do Governo do Maranhão. O depoimento de Gilbson Cutrim, condenado a 13 anos de prisão pelo homicídio ocorrido em 2022, foi revelado nesta terça-feira (18) pela jornalista Daniela Lima, do UOL, e acrescenta uma acusação direta contra o governador à investigação que mistura suspeitas de corrupção, contratos públicos e o assassinato.

“Eu pegava dinheiro deles, dele para levar pro Carlos [Brandão], inclusive levei valores para dentro do palácio”, declarou Gilbson à delegada da PF, segundo o UOL. A investigação trabalha com a hipótese de que uma disputa pela divisão de dinheiro relacionado à corrupção esteja por trás do homicídio. Em seu depoimento, Gilbson também acusa Daniel Brandão, sobrinho do governador e presidente afastado do TCE-MA, de tê-lo chamado para uma “armadilha” no dia do crime.

Segundo o relato, Gilbson afirma que a vítima estava armada e que atirou para não ser morto. Ele também declarou à PF que, após o crime, recebeu uma ligação de Daniel Brandão. “Cara, tu é doido e apaga tudo”, teria dito Daniel, de acordo com a versão apresentada pelo condenado aos investigadores e divulgada pelo UOL.

O relato surge em meio ao avanço das investigações sobre o caso. Nesta semana, Daniel Brandão foi afastado por seis meses da presidência do TCE-MA por decisão do ministro Flávio Dino, do STF. A Polícia Federal também apura suspeitas de corrupção, fraudes em licitações, desvios de recursos públicos e possíveis tentativas de interferência nas investigações. Carlos e Daniel Brandão negam as acusações. O depoimento de Gilbson integra a apuração e as declarações ainda estão sob investigação.