O governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB), elevou o tom das críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino durante entrevista ao programa Veja em Foco, exibida na última quinta-feira (6). Na conversa, Brandão afirmou que Dino deveria se declarar impedido de relatar processos envolvendo agentes políticos maranhenses, alegando que a antiga atuação política do ministro no estado comprometeria sua imparcialidade. Após a repercussão das declarações, os cortes da entrevista deixaram de estar disponíveis nas redes sociais da VEJA.
Durante a entrevista, Brandão comparou a situação à do ministro Nunes Marques, que, segundo ele, evita atuar em processos relacionados ao Piauí em razão de seus vínculos políticos no estado. “O Supremo deveria ter uma questão de ética. Não é justo que um juiz julgue um adversário”, afirmou. O governador também declarou que parlamentares maranhenses respondem a ações sob relatoria de Flávio Dino e mencionou o caso do ex-secretário Raimundo Cutrim, preso por decisão do STF e atualmente em prisão domiciliar. Brandão disse que o processo tramita sob segredo de Justiça e sustentou que Dino seria adversário político de Cutrim.
As declarações de Carlos Brandão foram feitas após decisão do ministro Flávio Dino que determinou a prisão preventiva de um secretário da Segurança do governo estadual, investigado por suposta obstrução da Justiça em um caso de homicídio que também apura o eventual envolvimento de familiares do governador. A decisão elevou a tensão política no Maranhão e antecedeu as críticas dirigidas por Brandão ao ministro durante a entrevista concedida à VEJA.