A Assembleia Legislativa do Maranhão definiu os deputados estaduais que vão integrar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para apurar denúncias envolvendo o vice-governador Felipe Camarão (PT). A comissão foi instalada depois que 24 parlamentares assinaram o requerimento nº 089/2026, validado pela Mesa Diretora na quinta-feira, 9 de abril, com prazo inicial de 120 dias. A divisão das vagas seguiu a proporcionalidade dos blocos da Casa.
Pelo bloco Unidos pelo Maranhão, ficaram como titulares Ricardo Arruda, Ana do Gás, Mical Damasceno, Yglésio Moyses e Adelmo Soares. O bloco Liberal Democrático, formado por PL e PRD, será representado por Aluízio Santos. Já a oposição, por meio do bloco Parlamento Forte, indicou Rodrigo Lago. Na suplência, foram definidos Carlos Lula, Fabiana Vilar, Helena Duailibe, Florêncio Neto, Kekê Teixeira, Eric Costa e Jota Pinto. A presidência e a vice-presidência da CPI ainda serão escolhidas pelos integrantes.
A formação da comissão ocorre em meio à divulgação de dados sobre a liberação de emendas parlamentares a deputados que assinaram o pedido de abertura da CPI. Levantamento aponta que foram pagos R$ 45.519.537,41 pelo governo Carlos Brandão ao grupo de parlamentares que aderiu ao requerimento. Desse total, cerca de 40% teriam sido liberados em 19 de março, um dia antes do vazamento das informações da investigação, que aparece citado em decisão do ministro Og Fernandes como tendo ocorrido em 20 de março de 2026.
A lista dos parlamentares contemplados com emendas coincide com os nomes de deputados que assinaram o pedido de investigação. Entre os maiores valores aparecem Adelmo Soares, com R$ 7 milhões; Claudia Coutinho, com R$ 6,7 milhões; Florêncio Neto, com R$ 5,6 milhões; Mical Damasceno, com R$ 3,3 milhões; Ana do Gás, com R$ 3,1 milhões; Helena Duailibe, com R$ 3,1 milhões; Edna Silva, com R$ 3 milhões; Júnior França, com R$ 2,9 milhões; Guilherme Paz, com R$ 2,4 milhões; Davi Brandão, com R$ 2,2 milhões; João Batista Segundo, com R$ 1,9 milhão; Claudio Cunha, com R$ 1,5 milhão; Dr. Yglésio, com R$ 1,5 milhão; Janaina Lima, com R$ 1,5 milhão; Neto Evangelista, com R$ 1,1 milhão; Osmar Filho, com R$ 1,1 milhão; Andreia Rezende, com R$ 1,1 milhão; Glaubert Cutrim, com R$ 900 mil; Daniella, com R$ 800 mil; e Antônio Pereira, com R$ 250 mil.
Entre os integrantes da própria CPI ou da suplência, aparecem nomes que também estão na relação dos que receberam recursos, como Adelmo Soares, Ana do Gás, Mical Damasceno, Yglésio Moyses, Helena Duailibe e Florêncio Neto. A coincidência entre os repasses e as assinaturas passou a ocupar o centro do debate político no momento em que a comissão foi formada.
O caso ganhou um novo capítulo com a decisão do Superior Tribunal de Justiça. O ministro Og Fernandes determinou o arquivamento do pedido de afastamento de Felipe Camarão e suspendeu a tramitação do processo no Tribunal de Justiça do Maranhão, ao entender, em análise liminar, que não havia fundamento válido para manter a medida. Na decisão, o ministro afirmou que, “ao menos à primeira vista”, não estavam presentes elementos consistentes para sustentar a ação, e também retirou o sigilo do caso.
O pedido havia sido apresentado pelo procurador-geral de Justiça do Maranhão, Danilo de Castro Ferreira, com base na suspeita de que o vice-governador teria usado terceiros para movimentar cerca de R$ 5 milhões. A defesa de Camarão reagiu dizendo que houve quebra ilegal de sigilo bancário e exposição indevida de dados pessoais e familiares. Segundo a própria decisão do STJ, o pedido de afastamento foi apresentado em 2 de março de 2026, o contraditório diferido foi rejeitado em 19 de março e o conteúdo do procedimento sigiloso acabou amplamente divulgado pela imprensa em 20 de março.
Com a decisão liminar do STJ, o pedido de afastamento ficou sem efeito neste momento, enquanto a CPI na Assembleia avança já com seus membros definidos.
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