A possível ida do deputado federal Duarte Júnior para o PV, apresentada por Adriano Sarney como uma porta aberta dentro da Federação Brasil da Esperança, está longe de ser uma solução tranquila. Nos bastidores, o movimento é visto mais como provocação política do que como uma saída realmente viável para 2026.

Duarte tenta encontrar um novo abrigo partidário depois de enfrentar resistência no campo do União Brasil/PP. O relógio corre contra ele: para disputar a reeleição em 2026, Duarte precisa estar filiado a uma legenda até 3 de abril de 2026, prazo da janela partidária definido pela Justiça Eleitoral. Mas, no caso do PV, o problema não depende só de convite ou boa vontade. Como o partido faz parte da federação com PT e PCdoB, qualquer passo mais sensível precisa passar por um acordo entre as legendas. E é exatamente aí que a situação dele trava.

No Maranhão, a resistência é forte. Nomes de peso do PT e do PCdoB, como Rubens Júnior e Márcio Jerry, não enxergam com simpatia a entrada de Duarte na chapa proporcional. O motivo é simples: a federação já trabalha com uma conta apertada para eleger poucos deputados federais, e a chegada de um nome competitivo como Duarte mudaria todo o equilíbrio interno. Em outras palavras, colocaria aliados para disputar voto entre si e ameaçaria diretamente quem já está no jogo.

O desconforto tem um peso ainda maior porque Duarte não é um estranho nesse campo político. Ele já foi filiado ao PCdoB, teve proximidade com o presidente Lula e com o ex-governador e hoje ministro Flávio Dino, e durante muito tempo circulou nesse grupo como um nome alinhado. Após a posse de Carlos Brandão, Duarte se afastou do grupo que deu sustentação à eleição do governador, em movimento para preservar a estrutura vinculada ao governo do Estado.

Esse novo perfil ajuda a explicar a desconfiança. Nos últimos meses, Duarte se movimentou de forma que incomodou setores da base governista. Ele assinou a convocação de Lulinha na CPI do INSS e também foi alçado à vice-presidência da comissão por indicação da cota do União Brasil. Para petistas e comunistas, esse comportamento reforça a imagem de um parlamentar que já não joga necessariamente com o mesmo time, mesmo quando mantém pontes com figuras importantes do campo lulista.

O problema para Duarte não é só político. Ele também esbarra na regra formal da federação. O artigo 16 do estatuto é claro ao dizer que as decisões devem ser tomadas por consenso. Quando não há acordo na instância estadual, o caso sobe para a direção nacional. Ou seja, se PT e PCdoB no Maranhão fecharem questão contra a entrada dele, a discussão vai parar em Brasília.

E esse caminho não parece animador para o deputado. Isso porque Rubens Júnior tem espaço relevante na direção nacional do PT, enquanto Márcio Jerry presidi o PCdoB. Sem apoio local e com resistência interna no plano nacional, a filiação de Duarte ao PV corre o risco de virar um movimento natimorto: até pode ser ensaiado, mas sem garantia real de sobreviver até a convenção.

Na prática, Adriano Sarney joga para marcar posição e tentar dar musculatura ao PV dentro da federação. Já Duarte se vê diante de um dilema delicado: entrar numa casa onde parte dos moradores não o quer. E, em política, quando o convite vem de um cômodo, mas o restante da casa fecha a porta, o risco de vexame é alto.