O lançamento da pré-candidatura de Orleans Brandão ao governo do Maranhão, realizado neste fim de semana no Multicenter Sebrae, acabou cercado por polêmicas que vão desde números inflados de público até denúncias de uso da máquina pública e pressão sobre servidores.
Aliados do grupo do governador Carlos Brandão divulgaram que o ato teria reunido cerca de 40 mil pessoas. O número, no entanto, rapidamente passou a ser questionado nas redes sociais. O motivo é a capacidade física do local: o Multicenter tem espaço para cerca de 6.500 pessoas na área coberta, o que levantou dúvidas sobre a estimativa apresentada pelos organizadores.
O evento também foi marcado por ausências que chamaram atenção. Uma das mais comentadas foi a da primeira-dama Larissa Brandão, que não compareceu ao lançamento da pré-candidatura. Nos bastidores políticos e nas redes sociais, circulam comentários de que ela teria sido vetada, alimentando especulações sobre um possível racha dentro da própria família do governador.
Outro detalhe considerado estranho foi a ausência de representantes nacionais do Movimento Democrático Brasileiro no palanque. Mesmo sendo o atual presidente estadual da legenda, Orleans lançou sua pré-candidatura sem a presença de lideranças nacionais do partido, fato que levantou questionamentos sobre o prestígio político do grupo dentro da sigla.
DENÚNCIAS
Além da polêmica sobre o público, o evento também foi marcado por denúncias envolvendo mobilização de recursos públicos. O deputado estadual Rodrigo Lago afirmou que a prefeitura de Peritoró teria utilizado estrutura pública para levar caravanas ao evento. Segundo a denúncia, veículos foram abastecidos com recursos públicos e houve oferta de alimentação e transporte, incluindo ônibus para garantir presença de apoiadores no ato político.
Outra denúncia que ganhou repercussão envolve um áudio vazado que circulou nas redes sociais. Na gravação, atribuída a uma gestora ligada ao Hospital da Vila Luizão, servidores seriam orientados a levar pessoas para o evento político. Na mensagem, cada funcionário deveria mobilizar ao menos cinco participantes para ajudar a lotar os ônibus destinados ao ato de lançamento da pré-candidatura.
Segundo relatos, a orientação incluía até recorrer a pacientes e conhecidos atendidos pelo serviço público de saúde para garantir presença no evento, numa tentativa de aumentar o público e produzir imagens de grande mobilização política.
Entre números contestados, denúncias de uso da máquina pública, pressão sobre servidores e ausências simbólicas no próprio núcleo familiar, o evento que pretendia demonstrar força política acabou expondo fissuras e desgastes dentro do grupo liderado pelo governador Carlos Brandão.