17 diretórios estaduais do Movimento Democrático Brasileiro organizaram e assinaram um manifesto defendendo que a legenda adote neutralidade nas eleições presidenciais de 2026 e não feche aliança nacional com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT. O documento foi entregue na terça-feira (3) ao presidente nacional do MDB, Baleia Rossi (SP), formalizando a pressão interna contra qualquer adesão automática ao projeto de reeleição do petista.
No texto, os dirigentes são diretos: defendem que o MDB não integre oficialmente a coligação com Lula e que a sigla permaneça neutra na disputa presidencial. A proposta central é liberar os diretórios estaduais para que decidam suas próprias alianças conforme as realidades locais e regionais, reforçando o discurso de autonomia partidária.
O manifesto foi subscrito por lideranças de ao menos 16 ou 17 estados, entre eles São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná e Rio Grande do Sul. Em vários casos, os movimentos começaram de forma isolada nos estados e depois foram unificados em um documento nacional entregue à executiva do partido.
No Maranhão, o episódio ganha contornos ainda mais sensíveis. O diretório estadual não aparece formalmente entre os signatários, mas o debate nacional repercute diretamente na disputa local. O PT já sinalizou que não pretende apoiar uma eventual candidatura do presidente estadual do MDB, Orleans Brandão, ao governo, e tende a priorizar o nome do vice-governador Felipe Camarão. Nesse cenário, o manifesto nacional amplia a distância política entre MDB e PT no estado e reforça a tensão na sucessão de 2026.