A saída de Maurício Martins da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, após a repercussão da denúncia de suposto assédio feita pela delegada Viviane Fontenelle, abriu uma ferida que o governo já não conseguia mais esconder. A acusação ganhou força nos últimos dias, e o secretário negou irregularidade, dizendo que usou apenas “palavras cordiais”.

Mas, para muita gente, a verdade política é outra: Maurício Martins já deveria ter sido exonerado muito antes. Não apenas pelo escândalo que explodiu agora, mas pelo que deixou como marca de sua passagem pela pasta: números alarmantes na segurança pública e uma sensação crescente de abandono da população.

É importante lembrar que Maurício Martins assumiu o comando da Segurança Pública apenas em março de 2023. Ou seja, ele não responde diretamente pelos números de 2022. Ainda assim, os dados posteriores à sua chegada ao cargo continuam preocupantes e ajudam a explicar por que sua permanência passou a ser cada vez mais questionada.

Os dados dos últimos cinco anos do governo Carlos Brandão mostram um cenário pesado. Somando homicídios dolosos, latrocínios, lesão corporal seguida de morte e feminicídios, o Maranhão acumulou 7.802 vítimas. Isso representa uma média de cinco mortes por dia. Em 2022, foram 1.805 casos. Em 2023, 1.838. Em 2024, o número saltou para 2.051, o pior da série. Em 2025, foram 1.940. E 2026 já começou com 168 vítimas só em janeiro.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

Não se trata de um problema isolado, nem de um episódio fora da curva. É uma sequência de números que revela uma realidade dura: a violência seguiu avançando enquanto o comando da segurança permanecia intocado.

O retrato fica ainda mais grave quando o Maranhão é comparado com o restante do país. Em 2025, o estado registrou 1.940 mortes violentas e apareceu como o 7º do Brasil em números absolutos. O dado assusta ainda mais porque o Maranhão ocupa apenas a 12ª posição em população. Em outras palavras, o estado mata muito mais do que deveria para o tamanho que tem.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

Esse é o ponto central que incomoda: como um secretário permaneceu no cargo por tanto tempo com indicadores tão pesados nas costas? Em vez de reação rápida, cobrança firme e mudança de rumo, o que se viu foi permanência, proteção política e discurso oficial.

Enquanto isso, do lado de fora dos gabinetes, a população continuou convivendo com medo, luto e insegurança. Não são apenas estatísticas. São vidas interrompidas, famílias destruídas e bairros inteiros marcados pela violência.

A exoneração, agora, pode até encerrar o ciclo administrativo de Maurício Martins, mas não apaga o saldo de sua gestão. Ele deixa o cargo cercado por um escândalo, mas também deixa para trás uma área em que os números falam alto demais para serem ignorados.

No fim, fica a sensação de que o governo demorou a agir. E demorou num setor em que atraso custa caro: na segurança pública, atraso se mede em vidas.