No julgamento desta quarta-feira (26) no Supremo Tribunal Federal (STF), que analisou a aceitação da denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, um trecho do voto do ministro Flávio Dino chamou a atenção ao citar um personagem histórico da cultura popular maranhense: Antônio Lima, mais conhecido como “Bota Pra Moer”.
Dino fez referência ao episódio marcante em que “Bota Pra Moer”, durante a greve geral de 1951 em São Luís, liderou uma marcha com uma bandeira nacional até o Palácio dos Leões. Ao perceber a forte presença policial, entregou a bandeira a outro manifestante e disse: “Até aqui eu vim, mas daqui pra frente arranjem outro que seja mais doido do que eu”.
A citação de Flávio Dino teve um claro simbolismo no contexto do julgamento. Para o ministro, o país chegou a um momento em que as instituições cumpriram seu papel até aqui, mas agora cabe ao Supremo e à Justiça conduzirem ospróximos passos no enfrentamento aos atos antidemocráticos atribuídos a Bolsonaro.
Quem foi “Bota Pra Moer”?
Antônio Lima, o “Bota Pra Moer”, foi uma figura lendária de São Luís entre as décadas de 1940 e 1960. Natural de Caruaru, Pernambuco, ele se destacou por sua inteligência peculiar e seu comportamento excêntrico. Ficou famoso por resolver cálculos complexos de cabeça, ler jornais de trás para frente e relatar com precisão as notícias.
Além de seu brilhantismo, era também um símbolo de resistência popular. Durante a greve geral de 1951, que rendeu a São Luís o título de “Ilha Rebelde”, ele participou ativamente das manifestações contra o governo. Seu nome, “Bota Pra Moer”, tornou-se um sinônimo de luta e coragem na cultura popular maranhense.
Ao resgatar essa figura no julgamento de Bolsonaro, Flávio Dino não apenas fez uma homenagem à memória de um ícone da resistência, mas também reforçou a necessidade de que as instituições sigam firmes na defesa da democracia, assumindo a responsabilidade de levar o processo adiante.
Com a aceitação da denúncia pelo STF, Bolsonaro se torna réu, e o Brasil avança para uma nova etapa na responsabilização dos envolvidos nos ataques ao regime democrático. Como na frase histórica de “Bota Pra Moer”, agora é a Justiça quem carrega a bandeira.